FUTURO PASSADO KOSELLECK PDF

Reinhart Koselleck – Futuro Uploaded by Ribeiro Filho. Copyright: © All Rights Reserved. Download as PDF or read online from Scribd. Flag for. Abre-se o caminho para a criação da filosofia da história, que pretende apreender o passado, o presente e o futuro como uma totalidade dotada de sentido. Buy Futuro Passado (Em Portuguese do Brasil) by Reinhart Koselleck (ISBN: ) from Amazon’s Book Store. Everyday low prices and free.

Author: Tojagrel Voodoogul
Country: Haiti
Language: English (Spanish)
Genre: Environment
Published (Last): 4 November 2004
Pages: 227
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ISBN: 821-1-64682-889-1
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Published on Dec View Download O conceito de “progresso” s foi criado no finaldo sculo XVIII, quando se procurou nmero reunir de grande novasexperincias dos trs sculos anteriores. Menciono a revoluo copernicana, o lento desenvolvimento datcnica, o descobrimento do globo terrestre e desuas populaes vivendo em diferentes fases e de por do A Contraponto Critica e crise, sua tese Agora, junto com a Edii a primeira edio, desta coletnea de formam, em conjunto, sobre o tempo hisespao de experint de expectativas de uma i suscita a construo I icta especfica de tempo, 1 natureza.

A histria, t em sua prpria: A funo l pioiu exemplos de l peioc contemporem essa relao do. No entanto, uma vez que as prprias condies estruturais se modificam como, por exemplo, a tcnica, a economia e com isso tambm a sociedade como um todo e mesmo sua Constituio a histria ter9ue informar sobre as prprias estruturas em processo de alterao, co-mo o caso da histria moderna.

As estruturas mostram-se cada vez mais instveis e modificveis, submetendo-se ao empuxo da temporalizao. Originou-se a o impulso inicial da escola historicista, a qual resultou da reflexo sobre o espantoso ineditismo de seu prprio presente.

Pois o mbito da experincia se estreita na mesma medida em que tem que se adequar continuamente aos processos que outrora ocorriam no longo prazo e que hoje so abreviados com uma velocidade varivel ou simplesmente acelerada.

Assim, a singularidade futuuro histria pde se tornar um axioma de todo conhecimento histrico. A singularidade dos eventos principal premissa terica tanto do historicismo como das teorias do progresso no conhece a repetio e, por isso, no permite nenhuma indicao imediata quanto ao proveito das aes passadas. Neste ponto, a “histria” [Geschichte] moderna destronou a velha historia como magistra fuuturo. Mas o axioma do princpio da singularidade individual que determina o conceito moderno de histria se refere estruturalmente falando menos ao ineditismo efetivo dos eventos do que singularidade do conjunto das transformaes da modernidade.

Isso ;assado pelo que passamos a chamar de “mudanas estruturais”. Da no resulta, entretanto, que o futuro se subtraia terminantemente a qualquer ensinamento que venha da histria.

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O que acontece que os ensinamentos se movimentam sobre um patamar temporal compreendido sob um ponto de vista terico diferente. Tanto a filosofia da histria quanto os procedimentos prognsticos dela decorrentes informam sobre o passado, de forma a deduzir, a partir dele, instrues e diretivas de kosellekc para o futuro.

Tocqueville, Lorenz von Stein ou Marx so testemunhas disso. Se, no entanto, abandonarmos o campo de experincia tradicional e nos aventurarmos em um futuro desconhecido, antes de tudo tentaremos compreender a experincia de um “tempo novo”.

A partir da, o passadi pedaggico da “histria” se modifica.

Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos by Reinhart Koselleck

Porm, desde a Revoluo Industrial e da Revoluo Francesa, esse carter repetitivo no recobre mais o espao da experincia. As mudanas estruturais de longo prazo, com intervalos de tempo cada vez mais curtos, resultam em predies que tm por objeto no mais eventos concretos singulares, mas sim as condies de um determinado futuro possvel.

Seu valor est em enunciar proposies estruturais, que falam de um futuro construdo como um processo. Exatamente quando a heterogeneidade dos fins introduzida como fator constante de incerteza, a anlise histrica estrutural conserva seu potencial prognstico.

Nenhum planejamento econmico hoje possvel sem que se tenha em conta as experincias advindas da crise da economia mundial nica no gnero de A histria como disciplina deveria ento renunciar a essa funo em nome do axioma da singularidade?

A histria refere-se s condies de um futuro possvel, que no se deduz somente a partir da soma dos eventos isolados. Mas nos eventos que ela investiga delineiam-se estruturas que estabelecem ao mesmo tempo as condies e os limites da ao futura.

Desse modo, a histria demarca os limites para um futuro possvel e distinto, sem que com isso possa renunciar s condies estruturais associadas a uma possvel repetio dos eventos. Em outras palavras, s se chegar a uma crtica bem fundamentada garantia voluntarista oferecida pelos planejadores de um futuro utpico quando a histria [Historie] como magistra vitae extrair seus ensinamentos no apenas das diferentes histrias, mas tambm das “estruturas dinmicas” de nossa prpria histria [Geschichte].

Falar do acaso na historiografia difcil, pois o acaso tem sua prpria histria dentro da historiografia, uma histria ainda no escrita. Para “explicar” o acaso de forma suficiente, preciso levar em conta em toda sua extenso o repertrio conceituai do historiador que se vale de um “acaso”.

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Seria preciso, por exemplo, colocar a questo do conceito oposto que produz o acaso ou o passavo geral que o relativiza. Raymond Aron comea a sua introduo Filosofia da histria com uma anttese derivada por Cournot entre “ordre” [ordem] e “hasard” [acaso], concluindo que “o fato histricopor sua essncia, irredutvel ordem: No curso de sua anlise, Aron dilui o carter radical da anttese e, com isso, transforma o significado do acaso na sua teoria do conhecimento histrico.

Dependendo do ponto de vista do observador, um evento pode parecer casual ou no. Com isso, supera-se, historiograficamente, a anttese preguiosa entre necessidade e acaso. Em relao a um determinado conjunto de circunstncias um evento pode parecer ufturo em relao a outro, pode parecer necessrio.

Essa posio tambm compartilhada por Carr nos seus escritos sobre histria; o acaso se torna um conceito ligado perspectiva. Entretanto, isso no bvio, e nem sempre foi assim. Do ponto de vista temporal, o acaso uma categoria que pertence exclusivamente ao presente, puramente duturo. Ele no dedutvel a partir do horizonte de esperana que se volta para o futuro a no ser como fissura repentina desse mesmo horizonte e tampouco pode ser percebido como resultado de causas passadas: Portanto, enquanto a historiografia tiver como objetivo esclarecer as circunstncias de acontecimentos em sua dimenso temporal, o acaso permanece como uma categoria a-histrica.

No setrata de atribuir-lhe o estatuto de categoria no-histrica [ungeschichtlich]. Ao contrrio, o acaso bastante adequado para descrever o repentino, o novo, o imprevisto e tudo o mais que tenha sido assim percebido na histria.

Tal ou qual conjunto de circunstncias s podem resultar do acaso, ou ento um conjunto cheio de instabilidades precisa do acaso como bode expiatrio.

Sempre que o acaso for convocado pela historiografia, isso indicar uma inconsistncia dos dados e a incomensurabilidade de suas conseqncias. Exatamente a estar contido o que especificamente histrico. A metodologia histrica moderna evita o acaso tanto quanto possvel. At o sculo XVIII, entretanto, era comum se recorrer ao acaso ou s guinadas da sorte na interpretao das histrias [Historien].

Esse costume tem histria longa e movimentada, da qual trataremos aqui apenas de maneira genrica. Com a lgica amarga prpria do Iluminismo [Aufklrung] cristo, Santo Agostinho zombou das contradies suscitadas pela existncia de uma deusa do acaso: Ubi est quod a fortuitis etiam nomen accepit?

Nihil enim prodest eam colere, si fortuna est”4 Seu principal argumento consistia em deduzir todos os acasos das mos de Deus, dissipando assim a Fortuna da experincia histrica rigorosamente crist. Quando Otto von Freising refere-se aos acasos, e ele o faz freqentemente, apenas para expliclos como desgnio da vontade divina.

Assim, a Fortuna foi assimilada pelo ponto de vista teolgico. Se a fortuna foi aceita por um mundo que ento se cristianizava, quer como crena popular, quer na tradio de Bocio, porque seu lugar no cotidiano ou no contexto das histrias singulares no poderia ter permanecido vazio. Com toda a sua ambigidade, que se estende do acaso em direo a um destino bom ou mau, passando pela “prosperidade”, a Fortuna oferecia um elemento estrutural para a representao de histrias [Historien] particulares.

Qualquer que tenha sido sua relao com a virtude ou a crena, fosse ela entendida como decorrente da vontade de Deus ou mais tarde como Dele apartada, a Fortuna permaneceu como indicador da mudana dos tempos, da variao de constelaes que so mais fortes do que os planejamentos dos homens, transformados em ao. Ao mesmo tempo, a fortuna foi instituda tambm com Bocio como smbolo do incomensurvel para a justificativa da existncia e dos atos de Deus.

De ambos os aspectos resultou que a felicidade ou a infelicidade, que irrompiam em determinado conjunto de eventos humanos, tornassem mais ntido o sentido desse conjunto, exatamente porque no pareciam ser imanentes a ele. A dupla face da Fortuna abriu espao para todas as histrias possveis, seu rico dote de dons criou lugar mesa para “todos os sculos”.

A fortuna faz parte, por assim dizer, da teoria das “histrias”, e no das histrias como tais. Graas sua ajuda, a histria [Historie] foi alada at a exemplaridade. At aqui, a Fortuna pde ser racionalizada do ponto de vista teolgico ou filosfico e moral, mas no historicamente: O problema do acaso na histria reapareceu metodologicamente, sobretudo quando se substituiu a Providncia por causas que no eram mais suficientes para esclarecer prodgios, milagres ou mesmo os prprios acasos.

Tornava-se necessrio identificar um tipo determinado de causas de carter histrico imanente, algo como causae psicolgicas ou pragmticas que excluram a velha Fortuna e, com isso, fizeram do acaso um problema.

O famoso nariz de Cleopatra que, segundo Pascal, tinhamudado a face do mundo 11 ilustra a passagem de uma poca outra: O acaso se torna causa justamente por conta de sua discrio e de sua superficialidade. Assim, Frederico II deduz, em seu Antimaquiavel, a paz de Utrecht de um par de luvas que a duquesa de Marlborough tinha encomendado precipitadamente. A propsito disso escreveu Duelos para o poltico Lus XIV, a ttulo de admoestao quanto poltica da poca: Sob tal perspectiva, o advento da boa fortuna apenas a conseqncia de uma poltica racionalmente dirigida.

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La Fortune et le hasard sont des mots vides de sens [A Fortuna e o15acaso brotaramso palavras vazias de sentido], constatou o jovem Frederico;da cabea dos poetas e se originaram na mais profunda ignorncia de um mundo que deu nomes imprecisos [des noms vagues] a efeitos de causas desconhecidas.

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O infortnio [Finfortune] de um Passsado teria decorrido da imprevisibilidade de causas e efeitos que se precipitam uns sobre os outros, trazendo consigo contratempos que no puderam ser previstos. Reconhecendo isso, Frederico esforou-se para desenvolver um sistema poltico que lhe permitisse colocar a seu servio todas as circunstncias da poca. Frederico se despedia assim da velha Fortuna de Maquiavel, mas sem renunciar completamente aos seus significados.

kosellcek O acaso pontual revela-se ento como um feixe de koelleck, tornando-se um nome sem realidade. Isso deveria explicar, segundo Frederico, por que “fortuna” e “acaso” teriam sido os nicos deuses pagos a sobreviver at koselleci dias observao que Voltaire expurgou ao realizar os cortes do manuscristo que seria entregue impresso.

Von Archenholtz, antigo capito a servio do Regimento Real da Prssia, foi um dos historiadores mais lidos do sculo XVIII, assim como um dos autores daqueles “quadros de costumes” que prefiguram a modernasociologia.

Na sua obra popular sobre a Guerra dos Sete Anos, recorre diversas vezes ao acaso. Examinemos mais de perto trs acasos invocados por Archenholtz.

Citemos, para comear, a descrio da famigerada coalizo das cortes catlicas de Viena e Versalhes, que pareceu colocar de ponta-cabea todo o sistema poltico europeu conhecido at ento e cujo efeito foi to chocante quanto o pacto Hitler-Stalin em O “projeto fundamental”, o verdadeiro motivo para a Frana teria sido “[conquistar] o principado de Hanver para assim alcanar melhores perspectivas na Amrica”. Com isso ele aponta uma causa citada como decisiva por Frederico em suas memrias, avaliada tambm pela historiografia ulterior como central porque caracteriza as circunstncias globais nas quais se deu a Guerra dos Fututo Anos, a primeira guerra de dimenses mundiais em nosso planeta.

O que era, pois, o acaso que Archenholtz introduziu aqui? Ele viu claramente a interdependncia de alcance mundial, dentro da qual a coalizo preenchia seus fins polticos.

Mas aquilo que, do ponto de vista da corte de Versalhes tinha sido o “projeto fundamental” foi, para o leitor prussiano, um “mero acaso”. Pois a coalizo se dirigia, segundo o ministrio francs e no segundo madame Pompadourem primeiro lugar, contra a Inglaterra, com quem a Frana disputava o domnio transocenico.

O que pareceu absurdo, casual mesmo, no horizonte de sculos de equilbrio poltico interno europeu fazia sentido se considerado a partir de uma perspectiva global. Para Archenholtz, portanto, o acaso no era s um recurso estilstico para aumentar o contedo dramtico de sua representao o que, entretanto, tambm aconteceumas tambm uma forma de reproduzir determinada perspectiva: Como contemporneo e combatente da grande guerra ele tambm compusera a sua histria.

O acaso foi introduzido ao leitor da Europa Centralde um modo completamente justificado, na plenitude de seu sentido de algo no motivado, para passar ento a ter um motivo a partir da perspectiva ampla do historiador.

Mas a motivao nasce de outros elos causais, de outra dinmica de razes, diferentes daquelas que poderiam ser apreendidas por um leitor hipottico.

Desse modo, o acaso introduzido por Archenholtz mostra-se tanto acaso quanto circunstncia motivada. Um historiador cientfico do sculo seguinte, como Ranke, por exemplo, renunciaria a tal mudana de fuguro mas os historiadores do Iluminismo tardio foram instrudos como poucos a tratar a histria no s como cincia, mas tambm retoricamente, como representao, de modo a facilitar a transmisso do conhecimento.

Tornava-se assim perceptvel a falta de consistncia do horizonte de expectativa [Erwartungshorizont dos leitores alemes da o “mero acaso” daquela coalizoao mesmo tempo em que se tratava de emend-lo, pois Archenholz, por volta de, j procurava, onde fosse possvel, causas de cunho histrico mun-dial futyro explicar os fatos.

Que importncia tem outra casualidade invocada por Archenholtz para explicar a primeira batalha decisiva da Guerra dos Sete Anos? Este homem, Setzling, no totalmente desconhecido pela histria da literatura, avistou uma coluna de poeira que se aproximava pelo lado norte da cidade.